Autor Marcus De Mario

Nos seus quase seis anos a Cris, com sua sabedoria infantil que não é pouca coisa, e, ainda mais, com seus sentimento aflorados, foi taxativa quando perguntada onde gostava mais de ficar, se na casa dos pais ou na casa da avó: Na casa da vovó!

O pai, dando de ombros, limitou-se a dizer que a menina podia ficar onde quisesse. A mãe não gostou nem um pouco de ouvir a filha afirmar que prefere a casa da vovó. E a avó, na sua experiência conquistada ao longo do tempo, conciliadora, disse-lhe que não faltaria ocasião dela fazer uma visita e passarem algumas horas juntas.

Espontânea e faladeira, a menina Cris explicou o motivo de sua escolha: A vovó me dá atenção, brinca comigo. A mamãe só sabe reclamar e me colocar de castigo. O pai não foi citado, então … continuou indiferente.

É simples resolver essa questão: que o pai seja mais participativo, e a mãe mais amorosa, e a filha certamente terá prazer em conviver com eles, em sua casa, deixando a casa da vovó apenas para os dias de visita ou em que os pais precisem que a avó cuide da neta.

Precisamos observar melhor as crianças e ouvi-las. Elas normalmente são espontâneas e nos fazem revelações de grande valor. Contradizendo muitos pais, e até professores, as crianças são seres pensantes, observadores e emocionais. Estão em processo de desenvolvimento cognitivo e emocional, mas isso não quer dizer que não observam, não sentem e não pensam.

Grande descoberta: as crianças são seres humanos!

Fico imaginando o que a mãe da Cris deve ter falado quando chegaram em casa. Provavelmente deve ter sido ríspida, deu uma grande bronca, proibiu-a de falar essas coisas na frente dos outros e… deve ter encerrado promovendo mais um castigo. Apenas reforçou na menina o gostar mais da casa e da companhia da avó.

Tenho visto pais que dão mais tempo de suas vidas ao celular e à internet do que aos filhos. E não se julgue que a culpa é da tecnologia. A culpa sempre será nossa, seres humanos com maus hábitos e que se impacientam com a educação dos filhos, que lhes exige sair de si mesmos. Muitos pais querem que os filhos os obedeçam num piscar de olhos, não deem mais trabalho, e pronto, pois têm muito o que fazer do que ficar o tempo todo pedindo, corrigindo, fazendo, protegendo, ensinando …

Pobres pais que não sabem o que lhes espera amanhã. Filhos não amados, não educados, quase sempre se transformam em jovens problemáticos, indiferentes, egoístas, pouco preocupados com os pais.

É natural, pelo menos na maioria dos casos, que a casa dos avós seja aconchegante, e que eles dediquem uma carga maior de afeto, de carinho aos netos, e, portanto, que a criança se sinta bem com o vovô e a vovó, mas daí a preferir, no caso, a avó, em detrimento dos pais e de sua própria casa, mostra que algo não vai bem no relacionamento pais e filhos.

Um pouco mais de atenção e carinho não faz mal a ninguém, muito menos aos filhos.

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