Autor Marcus De Mario

Estando no século 21, ainda causa enorme estranheza aos professores falar de escola inovadora, metodologia de projetos, ensino centrado no aluno, avaliação contínua, processo participativo.

Foi o que aconteceu com o professor Nelson.

– Desculpe perguntar, mas eu não terei à disposição quadro e caneta para dar aula?

– Pode perguntar à vontade, professor. Perguntar faz parte do processo educacional.

– Tudo bem, mas e o quadro e a caneta para dar aula?

– Não vamos dar aula, elas deixam de existir.

– Isso é impossível, só sei dar aula!

O Nelson acredita que somente sabe, enquanto professor, dar aula! Ele não tem culpa, foi formado, ou formatado, pelo sistema para acreditar nisso, que na escola a única função do professor é dar aula. E, claro, tem dificuldade em enxergar que pode fazer algo muito diferente: pode ser um orientador e facilitador, permitindo ao aluno ser construtor do seu próprio processo de aprendizagem.

O problema é que os professores acreditam que a aprendizagem só se dá através da ensinagem. Outro equívoco!

Mas não são apenas os professores que precisam se desconstruir, os pedagogos também, que deveriam ser os cientistas e artistas da educação, mas tudo formatam através de normas de trabalhos de conclusão de curso e citações intermináveis de autores outros. Tudo inútil. Projetos pedagógicos que, em grande parte, pouco servem para verdadeiramente educar.

– Professor, li sua proposta pedagógica para a escola e fiz algumas sugestões.

– Muito bem, professora Clara.

– Inseri várias citações para embasar algumas questões.

– Sei …

– Coloquei ao final uma bibliografia e melhorei a formatação seguindo as regras da ABNT.

Calei-me, pois ficar em silêncio também é uma arte pedagógica. A proposta tornara-se um trabalho de conclusão de curso, ou uma tese de mestrado. Muita verborragia para pouco resultado.

O Nelson e a Clara precisam colocar em prática o pilar da desconstrução. Sem isso suas crenças e práticas não sairão do lugar, e a escola inovadora nunca será realidade.

Aprender a se desconstruir para acreditar no novo, que nem tão novo é, pois os que fizeram a escola nova lá pelos idos do final do século dezenove e a primeira metade do século 20 já sabiam e acreditavam, é urgente.

A urgência não deve atropelar o processo, nem a escola inovadora será ela mesma se a escola apenas mudar sua metodologia, pois se não trabalhar novos valores, se não se embasar em princípios humanitários e éticos, estará muito longe da escola que precisamos para o século 21, com o olhar voltado para o que queremos ser no terceiro milênio.

A educação integral é o caminho, o único caminho, para a paz, a ética e a solidariedade entre os homens.

A escola tradicional, afastada da família e da comunidade, sem dar vez ao educando, poderá realizar a educação integral? Os resultados dessa escola parecem nitidamente dizer que não!

Então, por que não acreditar no novo e fazer a diferença?

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