Aprender e reaprender para fazer


Autor: Marcus De Mario

É impossível existir sem sonho. A questão que se coloca é, em primeiro lugar, saber se o sonho é historicamente viável. Segundo, se a viabilidade do sonho demanda um pedaço de tempo e de espaço a caminhar. Terceiro, se demanda um espaço ainda longo para caminhar e viabilizar, é o caso de se aprender como caminhar e, em caminhando, reaprender inclusive a realizar o sonho, quer dizer, buscar os caminhos do sonho.

Paulo Freire

Perguntei:

Qual é seu sonho, professora/professor?

Me aposentar dando aula.

Isso não é sonho, é repetição inconsciente do dar aula, do ensinar, do repetir dia a dia os ensinos e exercícios dos livros didáticos e apostilas. Se o professor não sonha, o aluno também não sonha, mas uma vida sem sonhos é bem uma tristeza sem fim.

Acompanhei a sobrinha-neta em sua aula online da primeira série do ensino fundamental. Que tristeza! A professora, sem dúvida bem intencionada, passou três horas aplicando exercícios de uma apostila do sistema de ensino à qual a escola pertence. Uma verdadeira tortura para minha sobrinha-neta e os demais alunos, tanto presenciais quanto onlines. E para mim também, que saí da experiência com a certeza que a ensinagem tomou conta da aprendizagem, e que a educação foi expulsa da escola.

O atual sistema de ensino, seja ele público ou particular, matou a educação, enterrou os sonhos, num velório sem fim de discursos vazios, sem fundamentação pedagógica, e práticas distanciadas da mais elementar didática. A metodologia resume-se em acompanhar conteúdos preestabelecidos em apostilas e livros didáticos.

Os professores não perguntam mais aos alunos como eles estão, o que fizeram, o que aprenderam de um dia para o outro, o que querem da vida, quais são suas dificuldades. Chegam e começam logo a dar aula, como se ser professor fosse o mesmo que ser um robô automático despejando conhecimentos enlatados que, na verdade podem ser adquiridos em qualquer lugar, ainda mais num mundo de comunicação digital aberta para todos.

Os que ainda sonham, e como é bom sonhar, precisam aprender sobre a utilidade e viabilidade do sonho, os caminhos a serem percorridos para transformar o sonho em realidade e, se for o caso, reavaliar o caminho e as ações, ou mesmo repensar o próprio sonho. Essa é a dinâmica do processo educacional, ou seja, a dinâmica da aprendizagem e não da ensinagem.

Como as novas gerações vão aprender a sonhar, aprender a pensar a viabilidade dos sonhos e aprender a reavaliar o que se sonha e o que se faz, se a os professores e as escolas não permitem que se sonhe?

Repito a pergunta:

Qual é seu sonho, professora/professor?

Se você não consegue enxergar nada mais do que conteúdos e aulas, isso quer dizer que em algum momento da sua vida você perdeu os sonhos. Comece então a procurá-los, porque quem não sonha, os outros não consegue fazer sonhar.

O que será da educação se os educadores não sonham com uma escola diferente?

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