Violência nas escolas


Autor: Marcus De Mario

Não é só o Brasil que sofre com a violência nas escolas, fenômeno que não é exclusividade dos países pobres ou em desenvolvimento, mas também presente em países como os Estados Unidos, a Inglaterra a Alemanha, entre outros, todas eles considerados desenvolvidos, fazendo parte do seleto grupo dos países mais ricos do mundo.

Esses países sugerem algumas medidas: colocação de detectores de metais nos portões de entrada; instalação de circuito interno de câmeras de vídeo; realização de exames aleatórios para detectar o uso de drogas; pressão sobre os pais de alunos problemáticos; vigilância policial externa. Perguntamos: atacando os efeitos através de medidas de segurança pública conseguiremos resolver a questão da violência dentro das escolas?

Os professores alegam que o problema está na família, que a maioria dos pais não sabe educar seus filhos. Temos que concordar ser a família uma das causas, com gravíssimos problemas quando se trata de dar bons exemplos, colocar limites, exigir responsabilidades, interagir com a escola, etc., entretanto, colocar toda a culpa na família é um exagero, pois a própria escola, quando não realiza sua missão de educar o ser total, ficando apenas no preparo intelectual dos alunos, também tem sua parcela de culpa.

E é culpada a sociedade quando mantém leis injustas que privilegiam determinados setores em prejuízo de outros. Quando não promove, através dos meios educacionais, valores de vida profundos e enobrecidos. Quando não dá importância ao desenvolvimento do senso moral das pessoas, e então tudo se complica.

A solução da violência nas escolas – que é de médio e longo prazo – só acontecerá quando formos na causa. Enquanto considerarmos que a educação é questão de segurança pública, e não de formação das consciências, continuaremos a assistir esse doloroso quadro.

Para que serve a escola?

Para instruir? Talvez, pois os índices publicados pelo Ministério da Educação depois das provas de avaliação do ensino, são desanimadores. Então, instruir não parece ser a melhor vocação da escola.

Para educar? Depende do sentido que damos a essa palavra. Considerando educação como sinônimo de equipamentos pedagógicos instalados, ou de formação de habilidades e competências, estamos mal, principalmente no cenário público. Agora, considerando educar como formar cidadãos plenos, conscientes, éticos, não parece que a escola esteja socialmente determinada a isso.

Repetindo consideração de Frei Betto sobre o tema:

“Seria a escola mera estufa de adestramento para o mercado de trabalho?“.

Consideramos que a escola existe para auxiliar os pais na educação dos filhos, para dar o complemento moral e intelectual à formação integral dos jovens, exigindo dos professores a autoeducação, o exemplo, a dedicação. E a escola não pode estar desligada da vida dos seus alunos e da comunidade à qual ela pertence e para quem desenvolve seus serviços. Escola onde ninguém aguenta ficar nem mais um minuto, não é uma verdadeira escola.

Se você está na escola considerando que ali está apenas para desenvolver seu trabalho profissional, como atestam seus diplomas, não está na hora de rever seu papel e no que você está transformando a escola?

A escola não é uma indústria ou um negócio comercial como outro qualquer. Lá dentro, em todos os setores, em todas as atividades, o tempo todo, lidamos com gente, com a formação dessa gente, trabalhando no presente aquilo que será o futuro.

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