Reflexões de um momento difícil


Autor: Marcus De Mario

A atualidade brasileira vive um momento conturbado, difícil, com polarizações políticas e ideológicas radicais, num interminável debate muitas vezes desprovido do bom senso, verdadeira quebra de braço pelo poder, com idas e vindas, por enquanto sem perspectiva de entendimento. Naturalmente a educação sofre em meio a tudo isso. Depois de alguns ministros da educação, e uma verdadeira reviravolta provocada pela pandemia, não sabemos para onde vai a educação brasileira.

As universidades estão em crise. As escolas estão meio perdidas sem saber o que vale e o que não vale nas diretrizes pedagógicas governamentais. Os professores estão preocupados com a vacinação e não sabem o que é melhor: voltar ao presencial ou ficar online. As políticas públicas não são claras, muitas escolas particulares fecharam em meio à crise econômica.

O momento é delicado, não resta dúvida, mas nem tudo está perdido, o pessimismo não pode nos dominar, pois sempre haverá esperança de dias melhores.

Essa crise de valores já estava anunciada, sendo acelerada após a segunda grande guerra mundial, e poderia ter sido evitada, ou pelo menos muito minimizada, se desde aquela época, e estamos falando da década de 40 do século 20, tivéssemos nos aplicado na implantação da educação moral nas famílias e nas escolas. Isso mesmo, nessas duas tão importantes instituições sociais.

A escola tem a missão de educar, mas essa missão só é completa se conjugada com a família, pois ela é a primeira escola, o lar é onde os filhos ganham a orientação provinda dos exemplos, é onde ganham o desenvolvimento dos hábitos, e todos sabemos que isso pode ser positivo ou negativo. E o papel da escola é muito mais do que instruir, do que ficar em procedimentos pedagógicos atrelados a conteúdos de matérias, ou disciplinas, curriculares.

O tempo passou e várias gerações deixaram de receber a educação moral, os bons exemplos, os valores e virtudes que fariam da nossa sociedade atual exemplo de justiça, paz e amor. O que temos assistido é injustiça, violência e egoísmo. Jovens e adultos imediatistas, materialistas e que não pensam nem no próximo nem no dia de amanhã.

E não será a segurança pública a solução do problema. Precisamos de sentimento, de humanização, de um trabalho porfiado na educação que espiritualize, que humanize, que desenvolva as virtudes, que forme o caráter. E já se vão mais de 70 anos do fim da Segunda Guerra, e ainda não compreendemos que a melhor opção é a educação moral das crianças e jovens.

Quanto mais tempo adiarmos a verdadeira solução, mais tempo teremos de crises e escândalos. Saiamos da retórica, da teoria, do discurso, para vivenciarmos, tanto na família quanto na escola, os novos tempos de uma sociedade mais justa e feliz, novos tempos dependentes da nossa educação moral e das novas gerações.

Como já dissemos, o momento é delicado, é difícil, mas existe solução, existe um caminho, por isso seremos sempre esperançosos, continuando o trabalho de transformação da educação, acreditando que, com o tempo, haveremos de implantar uma nova escola e uma nova sociedade,

Como dizia o eminente médico e sanitarista Oswaldo Crus, é preciso não esmorecer, para não desmerecer!

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